Opinião

Paulo Afonso - 05/04/2010

A Omissão da Sociedade

Por: Anttonio Almeida Júnior
Divulgação

Neste pedaço de sertão, ainda predomina a concepção que o Estado, seja ele representado pelo governo federal, estadual ou municipal, é o único responsável pelo desenvolvimento, nos seus mais diversos âmbitos: social, econômico e ambiental.  Este predomínio do Estado sobre a Sociedade que se subdivide em Sociedade Civil e o Setor Privado é explicado pelo modelo aqui implantado onde o Estado deu origem aos outros setores, diferentemente do que aconteceu nos países desenvolvidos onde o Setor Privado e a Sociedade Civil foram os que formaram o Estado.
De um lado o setor privado, representado pelas empresas, pelos profissionais liberais e pelos autônomos, esperam do governo as iniciativas que lhes permitam a criação de oportunidades de negócios, além dos incentivos fiscais e financeiros. De outro, a sociedade civil, que é representada por associações de bairros, associações rurais, clubes de serviço, entidades representativas, entidades filantrópicas, movimentos populares,etc, se caracteriza por um elevado nível de fragmentação e de distanciamento das decisões e das ações voltadas para o desenvolvimento. A maioria das ações desenvolvidas são destinadas à filantropia, recreação e reivindicações específicas. Nestas organizações, também predomina a cultura da dependência do Estado, até mesmo para atender às suas mais primárias necessidades.
Os exemplos estão aí. Só não vê quem não quer. Lembro aqui que no final dos anos oitenta houve uma intensa mobilização da Sociedade Civil e do Setor Produtivo para garantir-se uma tomada d'água de 10 m3 de água por segundo na barragem de Itaparica, hoje Usina Luiz Gonzaga. A barragem foi construída, a tomada d'água também, mas por acomodação, omissão ou qualquer outra razão, aquela tomada d'água até hoje não funciona, e olhe que através dela iría se fazer acontecer um grande Projeto de Irrigação, que todos sonhavam, e que irrigaria 33 mil hectares de terras dos municípios de Glória, Paulo Afonso, Santa Brígida e Pedro Alexandre, gerando mais de 80 mil empregos diretos e indiretos, centenas de agroindústrias, distribuição de renda e de oportunidades.  E porquê não aconteceu? Explica-se o fato que os governantes não deram prioridade àquela obra, alegando ser a mesma muito grande e que necessitaria de muitos recursos. Na verdade, o que houve foi uma decisão do Estado e uma omissão da sociedade civil e do setor produtivo. Em contra partida, este mesmo Estado priorizou o embelezamento e a urbanização de espaços públicos. Trocou-se desenvolvimento, distribuição de renda e oportunidades de trabalho, por montanhas de concreto, praças, jardins e asfalto. O preço desta omissão? Estamos pagando e caro. Problemas sociais e econômicos: violência, desemprego, estagnação econômica e ainda iremos pagar por mais algum tempo. Mas ainda há tempo. Tempo para corrigir e para recomeçar. Na realidade, a sociedade é capaz de transformar-se mediante as decisões e as ações de seus membros, constituindo-se a dinâmica para superar os limites individuais. Sem dúvida, a organização das pessoas e a sua união para solucionar necessidades comuns e conseguir melhores condições de vida, determinam o desenvolvimento de uma região e até mesmo de uma nação.
Está mais que na hora da nossa sociedade fazer valer a sua vontade. Deixar de viver a reboque de decisões tomadas pelo Estado e mostrar a sua capacidade e possibilidade de influir nas decisões públicas. Não podemos mais terceirizar a nossa cidadania.

Com Desenvolvimento e Justiça Social.

 


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