Política

Paulo Afonso - Bahia - 06/05/2018

Paulo Afonso é um dos mais de cinco mil municípios sem UTI

Redação: Luiz Brito DRT/BA 3.913
Foto: Reprodução

A oferta de leitos de Unidade de Terapia intensiva (UTI) em estabelecimentos públicos ou conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) está disponível em somente 505 dos 5570 municípios brasileiros, de acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Ao todo, o Brasil possui quase 41 mil leitos de UTI, segundo informações do CNES. Metade deles está disponível para o SUS, que potencialmente atende aos 204 milhões de brasileiros, e a outra metade é reservada à saúde privada ou suplementar (planos de saúde), que hoje atende a aproximadamente 25% da população. Embora o número de leitos de UTI tenha aumentado nos últimos anos – algo em torno de 7.500 nos últimos cinco anos – a quantidade de leitos no SUS ainda é insuficiente, sobretudo no SUS, onde a demanda é crescente.

Há anos, o município de Paulo Afonso sonha com a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). A cada dia que passa, toda a sociedade amarga o gosto dessa espera.

Para que se tenha a dimensão dessa realidade, a cidade que se desenvolve a passos largos, precisa enviar pacientes para outras cidades e estados, onde os mesmos aguardam ‘na fila’ uma vaga para que sejam assistidos.

O custo de uma UTI é muito alto e, sem sombra de dúvidas, precisa da parceria de órgãos nas esferas federal e estadual. Ninguém faz nada sozinho. A cada caso, famílias sofrem angustiadas com a dor da dependência de órgãos públicos que, muitas vezes, cumprem o papel de assistência, mas esbarram na burocrática e deficiente gestão da saúde no Brasil.

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde aponta que, no Brasil, para cada mil cidadãos, existem três leitos de UTI. Um dado extremamente preocupante. Outro dado, aponta que de 2003 até 2009, o País contava com pouco mais de cinco mil leitos.

Trazendo a pesquisa para o estado da Bahia, segundo o Ministério da Saúde, o número de leitos exigidos pela portaria é de 1.408. O estado dispõe de 31.943 vagas em UTI, para uma população que ultrapassa 14 milhões de pessoas. Será que esse é o motivo da demora da implantação da unidade no município de Paulo Afonso?

Em 2014, a Pesquisa Perfil dos estados e municípios, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que o Nordeste tem apenas 3,7% de leitos de UTI Neonatal distribuídas nos municípios. No Brasil, o número chega a 93,4%.

Recentemente, um garoto de dois anos perdeu a vida pela falta de vaga numa UTI Neonatal. Ele estava internado no Hospital Municipal de Paulo Afonso, no Bairro Tancredo Neves. A secretaria municipal de saúde informou que todo o atendimento necessário foi prestado, mas que por conta do pequeno número de leitos no país, o garoto não poderia ser transferido sem vaga.

Dos 5570 municípios do Brasil, apenas 505 possuem leitos de UTI, de acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Ao todo, o Brasil possui 41 mil leitos. Desses, metade está ligado ao Sistema Único de Saúde (SUS), que potencialmente é para atender mais de 204 milhões de pessoas.

O dilema de Paulo Afonso

Tendo em vista a realidade de Paulo Afonso, com mais de 120 mil habitantes, sem contar nos municípios vizinhos de Alagoas, Pernambuco e Sergipe que por conta da falta de assistência na saúde, se deslocam até aqui, quantos leitos seriam necessários para atender essa população?

O problema é bem mais fundo do que se imagina. Não que a população esteja clamando pela quantidade de leitos, mas pela falta que eles fazem. É preciso que o Governo da Bahia adiante o processo da implantação da UTI no Hospital Municipal de Paulo Afonso (HMPA). Pode até não ser a ‘salvação’, mas vai ajudar e muito.

Já no Hospital Nair Alves de Souza (HNAS), o impasse entre a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), atrasa a implantação de 30 leitos, o que seria primordial para nosso município.

A história é antiga e os munícipes estão cansados de saber que por quaisquer que sejam os motivos, a saúde de Paulo Afonso e da região não foi contemplada com a UTI. Retrocesso que pede crédito, compromisso e socorro!


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